A Cultura da Arábia Saudita

Os costumes populares e a cultura da Arábia Saudita não poderiam deixar de ser influenciados pela omnipresença do Islão no país e pelo conservadorismo reinante.

É preciso ter em conta que apenas há 50 anos a Arábia Saudita era um país pobre com uma população reduzida que vivia essencialmente de forma nómada.

Os códigos vigentes durante séculos, correspondentes a este cenário, não se dissolveram totalmente, e muitos dos costumes e da etiqueta social saudita tem como base as regras de então.

A hospitalidade da religião

A hospitalidade e a entreajuda é um destes vestígios. Não se sobrevive no deserto sem o apoio da tribo, do grupo, do vizinho.

A religião da Arábia Saudita é o Islão, com um regime político que se pode definir como uma teocracia e onde uma vertente do Sunismo, o Wahhabismo ou Salafasimo, é dominante. Esta corrente religiosa inspira-se nos ensinamentos do clérigo Muhammad ibn Abd al Wahhab, que viveu no século XVIII.

Os sauditas, ao encontrarem-se, cumprimentam-se prolongadamente, num longo ritual verbal, que passa pela inquirição da condição da família um do outro, sem contudo perguntarem directamente pelas esposas, o que seria altamente ofensivo. Existe contacto físico durante estes cumprimentos, mesmo que não se conheçam previamente.

A família é um pilar importante na sociedade saudita, e as visitas entres os seus membros é uma permanente diária e para as mulheres estas saídas são quase as únicas ocasiões em que deixam as suas casas.

É mesmo costume que as famílias vivam em complexos com múltiplos agregados, formando-se logo ali um clã que tem preferência em todos os aspectos da vida dos sauditas.

Os negócios, os laços de amizade, a sociabilização, dá-se acima de tudo ali, só passando para elementos de outras famílias e de outras tribos se tal for imperativo.

A vida quotidiana

A cultura da Arabia Saudita

A vida quotidiana do homem saudita inicia-se com um período de trabalho – caso tenha um emprego ou negócio – a que se segue uma sesta a meio da tarde. Depois, inicia-se um período de sociabilização, que se inicia por volta das seis da tarde. Nessa altura os homens conversam, divertem-se, jogam às cartas, fumam shisha e, antes de regressar a casa, tomam juntos uma refeição.

Na vida diária há uma série de actos que à luz dos costumes vigentes são considerados ofensivos. Não se mostra a sola dos pés ou do calçado a ninguém e não se usa a mão esquerda em nenhum acto que envolva outra pessoa nem para comer.

Numa conversa nunca se vai direito ao assunto, sendo necessário antes gastar algum tempo com temas banais e beber descontraidamente um chá ou um café. Não é de bom tom elogiar algo que um saudita tenha, como um relógio ou um telemóvel, pois segundo os costumes ancestrais este fica obrigado pelas leis da hospitalidade a oferecer a peça.

Na Arábia Saudita existe um regime de poligamia, segundo o qual o homem pode ter várias esposas, mas não mais do que quatro, que deverão ser tratadas de igual forma.

De resto, há uma miríade de pequenos costumes, evidentes para os sauditas mas muito curiosos para quem visita. Por exemplo, entre irmãos, os mais velhos sentam-se sempre numa posição mais alta, em situações formais, e entram primeiro numa sala, devendo esperar que os mais novos lhes beijem a mão.